A importância da representação feminina nos livros infantis

Os livros, desde sempre, se configuram como ferramentas poderosas que influenciam diretamente formas de pensamentos e construções de ideias. Com o passar do tempo, alguns temas tornaram-se cada vez mais relevantes, justamente por introduzir conceitos e desconstruir preconceitos – necessidade que se dá desde a infância. 

Partindo dessa ideia, elaboramos este artigo para tratar sobre a importância da representação feminina nos livros infantis e como isso contribui para uma transformação na estrutura da sociedade. Vamos lá?

Devemos pensar na representação feminina dentro dos seus muitos recortes, como, por exemplo, étnico, social, cultural, etc. Isso porque, além da função de auxiliar na construção de valores na infância – e consequentemente no processo de moldar suas condutas –, os livros abrem um horizonte de possibilidades para o futuro e as questões urgentes e íntimas que muitas crianças vivem. Por isso, é muito importante que elas se sintam representadas, se reconheçam nas histórias e nas características (físicas e psicológicas) dos personagens.

As mulheres por muito tempo ocuparam dentro da literatura infantil um papel extremamente passivo. Isso podemos ver claramente nas histórias clássicas, onde existe sempre uma figura masculina para que a história feminina tenha um sentido. Ou seja, sempre existe um príncipe como figura central de uma felicidade, seja porque o príncipe é o objetivo ou porque é somente ele quem a proporciona, salvando-a, escolhendo-a, amando-a, etc.

De qualquer forma, a mulher não era apresentada como protagonista da sua própria história e é reduzida, de uma forma geral, a uma imagem de fragilidade e sentimentalismo. Essa forma de representação contribuiu muito para a construção de uma mentalidade limitante para as meninas, que só tinham acesso a esse tipo de representatividade, e também para a manutenção do machismo estrutural da nossa sociedade.

Desse contexto surge a urgência de um debate, que é relativamente atual, sobre a importância da representação feminina nos livros infantis para quebrar essa lógica estabelecida.

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A importância da representação feminina nos livros infantis

Os livros infantis têm uma contribuição significativa para formação de identidade, para o autoconhecimento, desenvolvimento do senso crítico, valores morais, virtudes entre outras coisas. Da mesma forma, pode introduzir crenças limitantes, reforçar preconceitos e estruturas de divisões de gênero. 

Segundo uma pesquisa da Universidade de Brasília, mais de 60% dos personagens da literatura brasileira contemporânea são homens. Dentro do percentual feminino, existe um número muito pequeno de meninas ocupando posições de destaque ou de heroísmo.

Isso reforça estereótipos de gêneros que sustentam ideias como a incapacidade feminina de resolver os próprios conflitos e, por isso, se “justifica” a existência de uma figura masculina para lidar com esses desafios e produzir um sentimento de completude nas mulheres.

Dessa forma, a forma como as personagens femininas são representadas nos livros livros infantis ajuda no desenvolvimento de uma nova mentalidade, tanto nas meninas que passam a acreditar que é possível ocupar qualquer espaço que um homem ocupa na sociedade e são incentivadas a buscarem isso, quanto para os meninos que também passam a adquirir o conceito de igualdade de gênero e o respeito pela diversidade.

Com isso, a introdução desses conceitos desde a infância tem o poder de contribuir significativamente para uma transformação social, visto que é parte complementar da construção de uma nova mentalidade para as gerações futuras baseados nesses princípios.

Entendendo a importância desse tipo de conteúdo e seu impacto positivo na sociedade, a documentarista Vanessa de Araújo Souza, idealizadora do Mulheres de Luta, lançará uma série de livros que trazem essa representação feminina de forma ativa. Além disso, toda a coleção possui várias classificações e aplicabilidades pedagógicas para serem trabalhadas nos anos iniciais do Ensino Fundamental.

O primeiro livro tem por título: “Bizunguinha – Meu lugar no mundo”. Vamos conhecer mais sobre essa obra? Confira abaixo!

Bizunguinha — Meu lugar no mundo

Como já dito, esse livro é o primeiro de uma série que será lançada e que foi pensada para agregar aos ensinos dos anos iniciais, seja no âmbito escolar como no familiar, trazendo abordagens interessantes para o desenvolvimento pedagógico e o protagonismo feminino dentro dessas histórias.

A história desse primeiro livro, Bizunguinha – Meu lugar no mundo, é baseada nas experiências vivenciadas e nas memórias de uma garotinha que se chama Giovana. Através disso, a autora consegue transmitir diversos ensinamentos diferentes de forma didática, como: Português, Matemática, Ciências, Geografia e Ensino Religioso. Além disso, são trabalhadas habilidades sociais, a relação com o outro e formas de se expressar.

“No meu mundo não existem guerras. Somos livres de preocupações e tristezas. Há apenas uma lei que precisamos seguir: a de que todos os seres vivos, cada um do seu jeito, no seu tempo, com suas diferenças e semelhanças, sem nenhuma exceção, devem ser felizes para sempre.” Trecho do livro Bizunguinha – Meu lugar no mundo.

O livro também trata muito sobre a diversidade em seus diversos âmbitos, ampliando a representatividade, por exemplo, em relação aos padrões físicos estabelecidos, o que contribui para a construção e um fortalecimento da autoestima nas meninas.

O projeto propõe, então, uma contribuição para todas essas questões e problemáticas citadas no texto sobre a desigualdade de gênero que se perpetua desde a infância. 

Trabalhando esses conceitos e trazendo essa representatividade desde o início da jornada educativa das crianças, o processo de transformação social encontra um terreno mais propício para seu desenvolvimento.

Afinal, tudo isso reflete na sociedade que queremos construir para as próximas gerações.

Como incentivar o hábito da leitura nas crianças?

Mesmo os livros sendo uma ferramenta com grande potencial de transformação, infelizmente as crianças de hoje em dia têm cada vez menos interesse pela leitura. Diante disso, surge uma questão: como incentivar esse hábito nas crianças dessa e das próximas gerações?

Isso tem se tornado um grande desafio, seja para os pais e responsáveis seja para os profissionais da educação. Com o desenvolvimento desenfreado da tecnologia, construir esse hábito atualmente não é uma das tarefas mais simples. Por isso mesmo devemos nos empenhar em estabelecer esse costume desde o início, antes mesmo da criança iniciar na escola.

Os benefícios são inúmeros: desenvolvimento do vocabulário e da interpretação, concentração, imaginação, criatividade, interesse em aprender, habilidades sociais, empatia, além de reforçar laços afetivos nos momentos reservados para a leitura com pessoas próximas.

Dentro desse contexto, confira algumas dicas de como contribuir para o interesse das crianças pela leitura:

  • Seja um exemplo, ou seja, demonstre interesse pela leitura você também. As crianças aprendem muito observando;
  • Faça leituras em conjunto;
  • Perceba as preferências das crianças e com isso vai montando um acervo direcionado;
  • Leva a criança em ambientes como bibliotecas e livrarias;
  • Conversem sobre os livros lidos, faça perguntas relacionadas, discutam sobre o que a criança entendeu, etc;
  • Deixe os livros em locais de fácil acesso.

A seguir, a promo do episódio Literatura para crianças, da série Literatura, substantivo feminino, em exibição do Cinebrasil TV.

Ficou com alguma dúvida sobre a importância da representação feminina nos livros infantis ou sobre os lançamentos dos livros? Conta pra gente nos comentários, responderemos em breve.