Agora é com elas

Literatura e sociedade na América do Sul

A partir de 28 de julho, escritoras da América do Sul e da Alemanha conversam sobre as relações entre literatura e sociedade em um ciclo de debates online que acontece mensalmente até outubro. Em quatro encontros ao vivo, as mesas abordarão as relações da literatura com a violência, as mudanças, o medo e a vida privada. Agora é com elas: literatura e sociedade na América do Sul é um evento gratuito e com tradução simultânea organizado pelos Institutos Goethe da Argentina, da Bolívia, do Brasil, do Chile e do Peru. As transmissões serão pelo canal do Goethe-Institut São Paulo no Youtube e pelo site goethe.de/brasil/agoraecomelas.

Como diferentes escritoras refletem sobre os conflitos atuais em suas obras? É possível falar de violência por meio da literatura? A literatura pode trazer mudanças à sociedade? Essas são algumas das inquietações que fomentarão os debates do ciclo Agora é com elas e que tem curadoria da escritora argentina Claudia Piñeiro. As presenças já confirmadas são: Adriana Couto (Brasil), Camila Sosa Villada (Argentina), Gabriela Wiener (Peru), Giovanna Rivero (Bolívia), Joselia Aguiar (Brasil), Lina Meruane (Chile), Patrícia Melo (Brasil) e Zöe Beck (Alemanha).

O primeiro encontro acontece no dia 28 de julho, quarta-feira, às 17h, com a participação de Camila Sosa Villada, que lança neste mês seu mais recente livro no Brasil, O parque das irmãs magníficas, pelo selo Tusquets da Editora Planeta e Patricia Melo. Entre os pontos que serão abordados na conversa estão a questão da representação da violência e a relação entre as palavras e o silêncio. A mediação é de Joselia Aguiar e a apresentação de abertura de Claudia Piñeiro.

Rupturas e literatura é o tema que Gabriela Wiener e Lina Meruane debaterão no segundo encontro que acontece no dia 21 de agosto, sábado, às 13h. Temas tabus que a literatura poderia e deveria se voltar, e que mudanças sociais podem ser feitas a partir da literatura são alguns dos tópicos que serão discutidos pelas autoras. A mediação é de Claudia Piñeiro.

A relação entre o terror mediado pela literatura e o terror real, e como essas experiências podem ser narradas, são os temas da terceira mesa que tem a participação de Giovanna Rivero e Zöe Beck. O encontro Medo e literatura será no dia 12 de setembro, domingo, às 13h.

O entendimento que a vida privada continua existindo mesmo quando o mundo se encontra abalado por guerras e catástrofes é o ponto de partida para o último encontro. Ele acontece no dia 23 de outubro, sábado, às 13h, e ainda tem participações a serem confirmadas. A mediação é da jornalista Adriana Couto.

Agora é com elas: literatura e sociedade na América do Sul tem o apoio do Leia Mulheres, projeto voluntário com clubes de leitura espalhados em cerca de 120 cidades do Brasil e do exterior, e das editoras Incompleta, Planeta e Todavia. A Feira do Livro de Frankfurt também apoia o evento.

Agora é com elas: literatura e sociedade na América do Sul

De 28 julho a 23 de outubro.

Os debates de julho, agosto e outubro terão interpretação simultânea ao português. O evento de setembro terá interpretação simultânea apenas para o espanhol.

Tradução em libras

Gratuito

Transmissão: canal do Goethe-Institut São Paulo no Youtube e pelo site goethe.de/brasil/agoraecomelas

Programação completa

28 de julho, quarta-feira, 17h (UTC-3)

Violência e literatura

Como as experiências de violência são representadas na literatura? Experiências individuais conseguem ser traduzidas por meio da linguagem? Qual o papel da estética na representação literária da violência? O que conta mais: as palavras ou o silêncio?

Palavras de abertura: Claudia Piñeiro (Argentina)

Camila Sosa Villada (Argentina)

Patricia Melo (Brasil)

Mediadora: Josélia Aguiar

21 de agosto, sábado, 13h (UTC-3)

Rupturas e literatura

A literatura pode mudar a sociedade de forma disruptiva? Ainda há temas vistos como um tabu, aos quais a literatura pode e deve se voltar? Como a literatura pode trazer mudanças à sociedade? É possível, na condição de escritora, conduzir conscientemente esse movimento? Quais descompassos sociais foram transformados de forma duradoura por textos literários?

Gabriela Wiener (Peru)

Lina Meruane (Chile)

Mediação: Claudia Piñeiro (Argentina)

12 de setembro, domingo, 13h (UTC-3)

Medo e literatura

A descrição de processos políticos e sociais na literatura pode também conter referências a experiências de terror. Como experiências individuais e coletivas podem ser narradas através de relatos do terror? Qual é a relação entre o terror mediado pela literatura e o terror real? Como o medo e o trauma podem ser transmitidos pela literatura?

Giovanna Rivero (Bolívia)

Zöe Beck (Alemanha)

Mediação: a confirmar

23 de outubro de 2021, sábado, 13h (UTC-3)

Vida privada e literatura

A vida privada continua existindo mesmo quando o mundo se encontra abalado por guerras e catástrofes. As pessoas continuam se encontrando, se apaixonando, lutando por aquilo em que acreditam e morrendo. Qual é a relação que se estabelece entre a representação da esfera privada aparentemente apolítica e o corpo social como um todo? A escrita literária pode se recolher aos espaços interiores da vida privada enquanto há tumulto nas ruas?

Nomes a confirmar

Mediação: Adriana Couto

Participantes

Adriana Couto (São Paulo, Brasil)

Jornalista e apresentadora do programa Metrópolis, da TV Cultura.

 
Camila Sosa Villada (1982, La Falda, Córdoba, Argentina)

Cursou Comunicação Social e Teatro na Universidade Nacional de

Córdoba. Atuou em diversas peças e filmes, como protagonista do filme Mía,

de Javier van de Couter, e nas minisséries La viuda de Rafael e La chica que limpia,

entre outras. É autora do livro de poemas La novia de Sandro (2015), do ensaio El viaje inútil (2018) e dos romances O parque das irmãs magníficas (Las malas, 2019), publicado no Brasil pela Planeta, e Tesis sobre una domesticación (2019). O parque das irmãs magníficas recebeu o Prêmio Sor Juana Inés de la Cruz na Feira do Livro de Guadalajara, o prêmio de narrativas da livraria Finestres de Barcelona e o Gran Prix l’Heroine Madame Figaro na França. 

 
Claudia Piñeiro (1960, Burzaco, Argentina)

Curadora dos encontros Agora é com Elas. Escritora premiada,

dramaturga, roteirista e autora de As viúvas das quintas-feiras, publicado no Brasil

pela Companhia das Letras. Publicou ainda Elena sabe (Liberature Prize), Las

grietas de Jara (Premio Sor Juana), Betibú, Catedrales (Premio Valencia Negra),

entre outros. O livro Cuánto vale una heladera y otros textos de

teatro é uma antologia que reúne sua obra dramática. 

Gabriela Wiener (1975, Lima, Peru)

Jornalista e ensaísta. Parte de suas vivências pessoais para alcançar a universalidade de uma experiência. É autora de Sexografias (lançado pela editora Foz) e Nueve lunas. Já publicou também na revista serrote.

 
Giovanna Rivero (1972, Montero, Bolivia)

Doutora em literatura hispano-americana pela Universidade da Flórida, 

coordena oficinas de escrita criativa. Autora dos livros de contos Las bestias (1997), Contraluna (2005), Sangre dulce (2006), Niñas y detectives (2009), 

Para comerte mejor (2015), Ricomporre amorevoli Scheletri (2020) e Terra fresca da sua tumba (2021), publicado no Brasil pela editora Incompleta em parceria com a Jandaíra. Publicou os romances Las camaleonas (2001), Tukzon (2008), Helena 2022 (2011) e 98 segundos sin sombra (2014), entre outros títulos. Em 2011, a revista FIL Guadalajara considerou Giovanna como um dos “25 segredos literários bem guardados da América Latina”. 

Joselia Aguiar (1978, Salvador, Brasil)

Jornalista e escritora. É bacharel em comunicação social  (UFBa), mestra e doutora em história (USP).Trabalhou como repórter, redatora, colunista de livros e correspondente em Londres da Folha de S.

Paulo. Editou a revista EntreLivros, revista de livros já extinta. Foi curadora da Festa Literária Internacional de Paraty em 2017 e 2018. Desde 2019, é diretora da Biblioteca Mário de Andrade. Seu primeiro livro, Jorge Amado – uma biografia, publicado pela Todavia, 

venceu o prêmio Jabuti 2019 na categoria Biografia, Documentário e Reportagem. O próximo livro, ainda em andamento, gira em torno da vida e trajetória da pintora Djanira da Motta e Silva. 

Lina Meruane (1970, Santiago, Chile)

Sua obra ficcional apresenta-se nos volumes de contos Las Infantas (1998) Avidez (2020) e nos romances como Fruta podrida (2007), Sangre en el ojo (2012) e Sistema nervoso (2020), publicado no Brasil pela Todavia. Na produção de não ficção, destacam-se os ensaios Viajes virales (2012) e Zona ciega (2021), assim como Volverse Palestina (2013) e Contra os filhos (2018), publicado no Brasil pela Todavia. Recebeu, entre outros prêmios, o Cálamo (Espanha, 2016), Sor Juana Inés de la Cruz (México 2012), Anna Seghers (Alemanha, 2011) e bolsas da Fundação Guggenheim (EUA, 2004), NEA (EUA, 2010), DAAD (Alemanha, 2017) e da Casa Cien Años de Soledad (México, 2021). 

Patrícia Melo (1962, São Paulo, Brasil)

Autora de 12 romances e um livro de contos. A temática urbana e o interesse por patologias e injustiças sociais fazem de sua obra uma ampla cartografia da violência contemporânea. Com O Matador (1995), a autora foi indicada para o Prix Femina e conquistou os prêmios Deux Océans e Deutscher Krimipreis. O romance Inferno deu à autora o prêmio Jabuti em 2000. Ladrão de Cadáveres, seu décimo romance, foi eleito pelo jornal Die Zeit o melhor romance policial publicado na Alemanha em 2013 e ganhou os prêmios Literaturpreiss e Deutcher Krimipreiss. Foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura com Mulheres Empilhadas (2019), livro sucesso de crítica na Alemanha, publicado pela UnionsVerlag. Atualmente, a autora vive na Suíça e escreve um novo romance. 

Zoë Beck (1975, Ehringshausen, Alemanha)

Escritora premiada, também atua como tradutora e editora na CulturBooks, além de ser diretora de dublagem de cinema e televisão. Vivendo em Berlim, é um nome de destaque no romance policial, tendo recebido inúmeros prêmios da área, como os prêmios Friedrich Glauser, da Rádio Bremen e o prêmio nacional, Deutschen Krimipreis.