Alice Gonzaga

Filha de Adhemar Gonzaga e Didi Viana, Alice Gonzaga herdou a empresa Cinédia, negócio da família. A partir disso, passou a atuar e ser reconhecida como a matriarca da memória do cinema nacional.

Alice era a modelo de todos os testes com equipamentos novos da Kodak que eram feitos na Cinédia. Com apenas três anos de idade, participou do filme “Bonequinha de Seda”, além de fazer ponta no filme Romance Proibido e Caídos do Céu, de 1944.

O protagonismo de Alice consolidou-se mesmo no processo de restauração, preservação e disseminação do cinema brasileiro, diferentemente dos pais.

Sua identificação com o campo cinematográfico sempre foi evidente, inclusive, a palavra “Cinema” foi a primeira que conseguiu ler.

Com o passar dos anos, a paixão por essa arte foi se desenvolvendo ainda mais, tendo o pai como referência em sabedoria e conhecimento. Além disso, sempre carregou os exemplos de perseverança feminina herdada da mãe e avó.

Com tantas histórias presenciadas nos bastidores da Cinédia, Alice é considerada um receptáculo de informações sobre o cinema brasileiro.

Aos 40 anos, com os problemas de saúde enfrentados pelo pai, bem como os financeiros pelos quais passava a produtora, Alice encarregou-se da direção da empresa.

Para enfrentar as dificuldades da Cinédia, e reilavindicou do prêmio Coruja de Ouro, conseguindo, assim, reerguer o patrimônio de sua família.

Com seu trabalho com arquivo, Alice percebeu a curiosidade das pessoas em conhecer e aprender sobre a história do cinema, percepção que a despertou para a compra e restauração de filmes antigos.

Dessa maneira, ela se tornou uma excelente montadora de filmes e uma ótima crítica também.

Alice foi a responsável por montar um livro catálogo com a exposição de todo o material produzido pela empresa que herdou. Ainda hoje, esse material é usado na Cinédia.

Com o intuito de manter viva a memória do pai, Alice também produziu o livro “Gonzaga por ele mesmo” e “Palácios e Poeiras-100 anos de cinema no Rio de Janeiro”, que conta a verdadeira história da Cinelândia.

Como pioneira da preservação da memória do cinema brasileiro, Alice ganhou um documentário chamado “Desarquivando Alice Gonzaga”, de Betse de Paula, em 2017.