Anhanguera, 92

Porque ainda não tá fácil ser mulher nos espaços públicos! Um filme sobre confiança, medo e amor.

Anhanguera, 92 é um projeto de filme de estrada gravado por Mariana Gonzaga e Huli Balász em novembro de 2019 ao repetir uma aventura depois de dez anos: viajar do interior de São Paulo ao litoral pedindo carona nas estradas. O curta-metragem é uma autodocumentação, isto é, durante o percurso elas gravaram uma a outra com a câmera na mão e por vezes se gravaram juntas, através da câmera posicionada em um tripé. Serão inseridas narrações sobre as cenas captadas para trazer memórias, posicionamentos e estabelecer um paralelo entre os diferentes contextos sociais das viagens de carona, passando também por suas transições entre adolescência e vida adulta.

Storyline

Duas companheiras filmam o processo de pedir carona novamente nas estradas.

Sinopse do filme

À espreita de estourar uma pandemia, em um Brasil desgovernado por ideologias e ações ultraconservadoras, Mariana e Huli repetem uma aventura da adolescência e se propõem a investigar as mudanças que os diferentes atravessamentos ao longo de dez anos impuseram a suas vidas e nas formas de se relacionarem entre si e com o mundo. Com este objetivo, elas voltam às estradas do interior paulista em busca de caronas para conseguirem chegar à praia da Baixada Santista portando apenas água, comida e, desta vez, equipamentos cinematográficos.

Sobre o que é o filme?

O filme é sobre confiança (ou, pode-se dizer, amor). O duro exercício da confiança nas pessoas e na vida. E sendo sobre confiança não teria como ele não ser também, ou principalmente, sobre medo, o medo que todos estamos de tudo, de todos e um do outro. E como é feito por duas mulheres, Anhanguera, 92 é também um filme sobre ser mulher nas pistas, ser mulher enquanto caroneiras, ser mulher e também querer se divertir, se aventurar, ser mulher em frente às câmeras e especialmente atrás delas, ser mulher em espaços públicos, ser mulher no mundo, ser mulher.

Vale enfatizar!

De antemão, acreditamos que seja necessário enfatizar que este é o projeto de um documentário do gênero road movie (filme de estrada), roteirizado, dirigido, protagonizado (e possivelmente editado) por mulheres plurais em cor, orientação sexual e classe social. Geralmente o espaço de produção de filmes que envolvem estradas são ocupados por homens, que acabam também por protagonizá-los.

Qual o impacto artístico/social de Anhanguera, 92?

Anhanguera, 92 é politicamente relevante por dar continuidade e fortalecer um debate já presente ao tratar de questões como o lugar da mulher na sociedade e a sua representatividade nas telas e por trás delas – trazendo mulheres plurais para um protagonismo no cinema nacional, compreendendo estes corpos femininos em suposta situação de “vulnerabilidade” já, por si só, como um ato político. Conceitualmente, o filme é relevante por abordar as temáticas do medo e do amor e também por destacar questões referentes à transição entre adolescência e vida adulta e ao afeto na juventude .

De forma resumida, o filme é pensado de forma a tensionar fronteiras entre instâncias que soam dicotômicas, como verdade e construção; arte e realidade; mulher e estrada; medo e coragem; segurança e liberdade; adolescência e vida adulta; amor e amizade; silêncio e intimidade.

A princípio, Anhanguera,92 pode parecer ser apenas uma história de duas jovens que escolhem se aventurar por estradas brasileiras em suas diferentes fases de vida, mas talvez isso não diga somente sobre elas, talvez o micro possa representar o macro e falar também sobre outras mulheres, de outros lugares e com outros anseios.

Por que queremos realizar esse filme?

As mulheres podem viajar em quantas forem mas, infelizmente, ao olhar comum elas estarão sempre “sozinhas”. Dentre tantas outras mulheres, nós também queremos ajudar a mudar isso! Então, por razões históricas, políticas e conceituais nos sentimos convocadas a contar esta história, especialmente por dizer respeito a uma problemática antiga e, infelizmente, ainda atual e urgente.

Queremos falar sobre mulheres que desafiam o estado das coisas e, ainda que isso possa lhes custar uma vida segura, ou melhor, menos arriscada, queremos falar sobre mulheres que estão dispostas a fazer isso e não só porque querem ousar, mas porque não conseguem se submeter a sufocar um devir que as persegue. Queremos contar histórias de mulheres que se aventuram, confrontam, trabalham, ousam, superam, redescobrem espaços e horizontes e que promovem deslocamentos. Somos parte destas mulheres.

Anhanguera, 92, além de lançar luz à agenda de luta por direitos das mulheres e a reivindicação das estradas como um lugar também a ser ocupado por nós, toca também em assuntos relacionados à organização da nossa sociedade e em tantas questões existenciais, como as contradições já mencionadas até aqui. Tudo isso brilha nossos olhinhos e nos motiva muito!

Linguagem e Narrativa

A história é uma repetição de uma vivência passada e, por esta razão, a nossa narrativa clássica linear (até o momento) incorpora em sua linguagem estratégias para contar dois tipos de experiência: a experiência que as garotas viveram ao pedir carona nas estradas enquanto adolescentes em 2010 e a experiência de tentar realizar a mesma viagem quase dez anos depois. Por esta razão, serão inseridas no filme algumas narrações sobre as cenas. Esses depoimentos em primeira pessoa servirão para criar uma espécie de “paralelo” ou “diálogo” entre duas viagens atípicas, ocorridas em tempos e com objetivos e amadurecimentos diferentes. O que mudou, de lá pra cá, em nós e no mundo? Mudamos?

Queremos contar a história de duas moças que se aventuram pedindo carona, de forma a repensar as mulheres que elas estão se tornando e os caminhos que as trouxeram até onde estão. O embate entre as duas experiências traz à tona ânsias, contradições, conflitos e as diferenças nas relações das parceiras com o mundo e entre elas mesmas, em dois diferentes contextos político e social.

Em que pé estamos?

Nosso projeto já está em desenvolvimento e possui toda a captação de cenas, que foram realizadas de forma independente.

Estamos no final da produção do documentário, nos dirigindo para a pós-produção, vulga finalização.

O que exatamente falta fazer?

Para fecharmos a produção, resta gravarmos os depoimentos que serão inseridos em voz over. Após a gravação desse áudio com nossas narrações, entraremos na fase de finalização que, em nosso caso, se resume basicamente em:

  • Montagem (edição)
  • Mixagem (correção de som)
  • Tratamento de cor
  • Identidade Visual e Design de Créditos

E aqui é basicamente uma profissional para cada função, que precisará…ser paga! É por esta razão que criamos uma campanha de financiamento coletivo no Catarse. No ano de 2021 inscrevemos Anhanguera, 92 em muitos processos e editais culturais – tanto nacionais como internacionais! No entanto, ainda não fomos contempladas em nenhum deles. Mas não paramos aí! Encontramos uma estratégia alternativa: viabilizar um curta-metragem com o material que já temos através dessa campanha na Catarse, afinal, nós não íamos querer engavetar tanto esforço e trabalho já realizado!

Ajude a estimular o cinema independente brasileiro e o trabalho de mulheres plurais nesse mercado.
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Campanha Catarse: catarse.me/anhanguera92 (Veja no link nossas bio, cronograma, orçamento e referências)

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