Antonieta de Barros

Em 2019, um mural de 32 metros de altura foi erguido no centro de Florianópolis para homenagear Antonieta de Barros, considerada uma personalidade do estado catarinense. A pesquisadora Luciene Fontão, ao escrever a biografia de Antonieta de Barros, afirmou que ela foi “uma mulher que ousou ser política e ocupar o lugar que à época, normalmente, seria de um homem”.

Antonieta de Barros, foi uma jornalista, professora e política que viveu na primeira metade do século XX. Nascida em 1901, na cidade de Florianópolis, foi criada pela mãe, uma lavadeira ex-escravizada. Estudou na Escola Normal e formou-se professora de Português e Literatura.

Em 1922, ela fundou o Curso Particular Antonieta de Barros, que tinha como público a população mais pobre, que só seria fechado em 1964. Em sua carreira na educação, Antonieta de Barros exerceu o magistério ao mesmo tempo em que dirigia tanto seu Curso Particular como o Instituto de Educação.

Na área da política, as mulheres haviam conquistado o direito ao voto havia apenas 2 anos quando Antonieta de Barros de Barros foi eleita, em 1934, a primeira deputada estadual negra do Brasil, além de primeira deputada mulher de Santa Catarina. Associando seus propósitos na Educação com a Política, Antonieta de Barros apenas parou de atuar com a chegada da Ditadura do Estado Novo.

Antonieta atuou também na área cultural, dirigindo o jornal A Semana entre 1922 e 1927, e escrevendo para revistas e outros jornais. Ela explicitava suas ideias quanto à educação, política, a condição das mulheres e o racismo. Sob o pseudônimo Maria da Ilha, ela publicou em 1937 um livro de crônicas autorais, “Farrapos de Ideias”.

Suas obras literárias são cheias de críticas sociais, representando a resistência da escrita e da educação feminina. Antonieta de Barros foi uma forte presença e símbolo da mulher negra atuando em espaços historicamente restritos a ela.