Como utilizar a ginecologia natural

Muito mais do que fazer uso de plantas e de outros ingredientes naturais, a ginecologia natural é um caminho que preza pelo autoconhecimento e pela autonomia das mulheres no cuidado com seu corpo, entendendo os ciclos femininos como um processo que está intimamente conectado à natureza.

Ou seja, quando se trata da saúde ginecológica, essa abordagem inclui também outros fatores que vão além da solução da cura da enfermidade. Antes de mais nada, a ginecologia natural prioriza a intimidade da mulher com seu próprio corpo, especialmente no que se refere aos desequilíbrios internos que podem proporcionar o surgimento de doenças.

É importante salientar que natureza não é somente as plantas que utilizamos para tratar doenças. Nós mulheres somos parte integrante dela, afinal, o ser humano é antes de mais nada um ser natural. Sendo assim, o elemento natural mais próximo de cada mulher é ela mesma. Então, não é de se surpreender que o primeiro passo desse caminho seja esse olhar para o nosso interior.

Com relação ao uso de componentes naturais, a ginecologia natural estimula essa utilização a partir do resgate da sabedoria dos nossos ancestrais, uma vez que anteriormente éramos muito mais conectadas à natureza de forma geral.

A partir desse olhar, podemos concluir que a ginecologia natural surge também como uma crítica à alopatia. Não se trata de negar a medicina tradicional, mas de não colocá-la em um sistema hierárquico que a considera como solução exclusiva para todas as doenças, ignorando ou menosprezando os benefícios que as plantas têm a nos oferecer. Cabe lembrarmos também dos impactos ambientais causados pela indústria farmacêutica.

Sendo assim, podemos concluir que a ginecologia natural amplia a nossa consciência com relação ao entendimento da saúde ginecológica em consonância com a saúde do planeta, suscitando nosso autoconhecimento, bem como resgatando os saberes ancestrais com base na natureza.

Sabendo disso, qual seria o caminho? A substituição da alopatia pela medicina natural?

A alopatia tem seus benefícios e a ginecologia natural não questiona isso. No entanto, é crescente a quantidade de mulheres que não se sentem bem atendidas pela abordagem médica moderna, uma vez que, em consultórios ginecológicos tradicionais, a solução de suas doenças sejam solucionadas apenas por medicamentos alopáticos, desconsiderando outros fatores relacionados à saúde e bem estar da paciente.

Um dos motivos pelos quais isso é recorrente, pode estar na abordagem da medicina tradicional que, embora trate de um indivíduo, acaba atuando para o controle das massas, como salienta Paula Gaudenzi e e Francisco Ortega, no artigo “O estatuto da medicalização e as interpretações de Ivan Illich e Michel Foucault como ferramentas conceituais para o estudo da desmedicalização”.

De uma forma geral, os estudos da medicalização se direcionam para a análise e insinuação da intervenção política da medicina no corpo social, por meio do estabelecimento de normas morais de conduta e prescrição e proscrição de comportamentos, o que tornaria os indivíduos dependentes dos saberes produzidos pelos agentes educativo-terapêuticos. (GAUDENZI e ORTEGA, 2011, p. 02)

Em paralelo, a ginecologia natural também tem sofrido as suas críticas. Isso porque, como ela se baseia na utilização de componentes naturais, algumas mulheres realizam tratamentos caseiros sem indicação de uma especialista, podendo acarretar problemas. Com relação à essa crítica, as profissionais que trabalham com a ginecologia natural reconhecem esse padrão também na alopatia, já que muitas pacientes também se automedicam com pílulas e outros remédios vendidos em farmácias, sem nenhuma prescrição médica.

Em ambos os casos, portanto, é importante buscar orientação profissional, mas o ponto de partida é a relação de cada mulher com o próprio corpo, em uma abordagem que envolva observação, carinho, atenção, auto exame e toque.

A mulher que se conhece sabe identificar em si mesma quando algo muda, e isso facilita a percepção de quando algo está errado, bem como se há necessidade de buscar algum tratamento específico na medicina tradicional.

Portanto, a ginecologia natural contribui à identificação prévia de doenças íntimas. Em geral, as mulheres que não possuem essa relação com o corpo, podem perceber algum problema tardiamente, e isso também é prejudicial à medicina moderna.

Ou seja, o alerta é para que você não saia pelos blogs buscando receitas, só porque você acha que aquela planta deve servir para algo que você acha que tem.

Existem muitas especialistas em Ginecologia Natural, então vale a pena buscar uma profissional da área no início desse processo. É o caso da Bel Saide, por exemplo, que tem formação em ginecologia e obstetrícia pela UFRJ e que se especializou em ginecologia natural.

Ainda assim, existem inúmeras ações sem contraindicação que a ginecologia natural orienta a qualquer mulher. Alimentar-se bem e praticar atividades físicas já são dicas recomendadas por quaisquer profissionais da saúde. Mas além disso, você pode estudar o básico da anatomia interna e externa do seu sistema intimo, observar seus ciclos menstruais, perceber as interferências das fases lunares e climáticas em seu corpo e realizar autoexame.

Aos poucos você vai se aprofundando no tema e tomando outras atitudes para sua saúde que estejam alinhadas à perspectiva da ginecologia natural.