Condições do sistema carcerário para a mulher

Quando a gente fala em rotas gendradas para mulher, a gente pensa em caminhos de maternidade solo, de pobreza, de abandono, de exploração sexual, abuso e exploração sexual ainda na infância, de sexualização precoce, de vínculo romantizado, porque tem muitas mulheres que chegam ao crime por intermédio do parceiro.

Ana Lara Camargo de Castro, Promotora de Justiça no MP-MS

Há diferenças entre os caminhos percorridos pelos homens e pelas mulheres em situação de criminalidade, e esse é um dado relevante. Acontece que durante muito tempo, as teorias criminologistas tradicionais, centradas na observação da figura masculina, também eram aplicadas às mulheres sem considerar suas especificidades. Há quem ainda defenda uma “imparcialidade”, mas Ana Lara Camargo de Castro acentuou em conversa ao Mulheres de Luta que, diante da desigualdade desses caminhos, é preciso haver uma perspectiva específica com relação à mulher, e o Estado precisa estar comprometido com isso.

Dessa forma, é considerada tanto a rota engendrada que levou à mulher ao crime, como as necessidades específicas dessa mulher em situação de prisão. Aspectos biológicos, psicológicos, sociais e culturais são considerados nas trajetórias criminogênicas das mulheres, e as rotas geradas consideram essas diferenças.