Conectividade entre vida e morte na cultura africana

“Os ancestrais nossos são muito importantes, porque nós só estamos aqui porque eles existiram”, afirmou a doutora em antropologia Ivete Miranda Previtalli em entrevista ao Mulheres de Luta.

Na cosmologia Iorubá, o mundo é dividido entre o aiê, que é o plano físico dos seres vivos, e o orum, o plano espiritual dos mortos, onde vivem os ancestrais e os Orixás. Ivete Previtalli observa que a mitologia ioruba explica a separação desses dois mundos, mas através das práticas religiosas, é possível estabelecer uma comunicação entre eles.

No mundo espiritual estão os ancestrais, que são muito importantes na cultura africana. Ivete Previtalli explica que só há vida, porque também existe a morte, e quando morremos, carregamos conosco nossas experiências na terra, sejam boas ou ruins, são os nossos tesouros. Ao reencarnarmos, esses tesouros pesam.

Dessa forma, a vida passada que tivemos e as nossas escolhas, positivas ou negativas, podem influenciar na nossa proteção e auxílio em uma próxima encarnação.

Ivete Previtalli nos lembra que o bem e o mal se manifesta nas escolhas de cada ser humano, apesar do preconceito que pesa sobre as religiões de matriz africana, associando elas à seus ritos à práticas negativas.