Ivone Lara, a primeira mulher compositora de escola de samba

Yvonne Lara da Costa, mais conhecida como Ivone Lara, foi uma popular sambista fluminense. Conhecida como a Grande Dama do Samba, Ivone Lara nasceu em 1947 e se tornou símbolo de mulher negra que driblou o machismo e o racismo para se tornar uma compositora e intérprete muito respeitada.

Filha de pai músico e mãe cantora, Ivone ficou órfã aos 6 anos e foi adotada por um tio, que fazia parte do grupo de chorões de Pixinguinha. Estudou canto orfeônico quando estava no internato, trabalhando posteriormente como enfermeira, profissão que manteve paralelamente ao meio artístico até se aposentar aos 56 anos.

O trabalho como enfermeira acabou por influenciar suas composições e o tom de sua música ao falar dos negros e da mulher. Autora de sucessos como “Sonho Meu” em parceria com Délcio Carvalho, Ivone Lara gravou 19 discos, se apresentando em países da África, Europa e América Latina. Em sua carreira, recebeu diversos prêmios.

Ivone Lara faleceu em 2014, com muita repercussão e homenagens.

A mulher nas escolas de samba

As primeiras escolas de samba foram fundadas entre 1920 e 1930. Na década de 1930, as mulheres começaram a ampliar sua participação no carnaval, inclusive nos desfiles, embora as agremiações de escolas ainda fosse um lugar dirigido por homens.

Dagmar da Portela foi a primeira mulher a desfilar à frente da bateria, em 1938, tocando surdo em uma época em que as baterias eram formadas majoritariamente por homens.

A primeira mulher a integrar uma Ala de Compositores de Escola de Samba foi Ivone Lara, estando a frente da Império Serrano. Ela assina o samba-enredo considerado como um dos melhores de todos os tempos, Os Cinco Bailes da História do Rio (1965), mas houve uma época em que ela era impedida de assinar suas composições. Na década de 1960, inclusive, ela teve que deixar um primo assinar suas músicas porque não era admitida a participação de uma mulher entre os compositores.

Carmelita Brasil foi a primeira mulher a dirigir uma escola de samba, estando à frente da Unidos da Ponte, escola de São João de Meriti. Compositora, Carmelita também foi responsável pelos sambas enredos da escola entre 1959 e 1964. Ainda hoje o ambiente da ala compositora das escolas é majoritariamente ocupado por homens. 

Atualmente, muitas mulheres apaixonadas pela festa continuam se empenhando para manter vivo o carnaval. Elas estão nos bloquinhos de rua e nas escolas de samba, costurando ou presidindo. São percussionistas, passistas, carnavalescas, e mesmo diante das dificuldades, elas se esforçam com amor pelo carnaval para conquistarem seus espaços.

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