O protagonismo da mulher negra

mulher negra no poder

Em um país em que temos a mulher negra na base da pirâmide, é urgente o debate sobre a emancipação e o protagonismo da mulher negra.

Sobre esse assunto, Marielle Franco define:

“Acho que essa emancipação hoje é um processo de autonomia que garante às mulheres negras o lugar da decisão. É conseguir fazer essa disputa simbólica e fazer a disputa objetiva.”

Marielle Franco

A fala de Marielle reforça que a emancipação da mulher negra deve vir de encontro à uma efetiva mudança no paradigma social. Trata-se de uma luta por identidade, mas de uma transformação no modo de pensar a estrutura social, bem como a criação de mecanismos que façam cumprir essas exigências urgentes.

A população negra se concentra mais nas faixas mais jovens, quando comparada à população branca que está mais presente nas faixas de idade mais elevadas. Esses dados podem estar relacionados à vulnerabilidade da população negra que é mais sujeita a condições precárias de vida e à violência, tendo suas vidas interrompidas precocemente.

Muitos estudos, incluindo o que serviu de base para as informações levantadas até aqui, “Dossiê Mulheres Negras: retrato das condições de vida das mulheres negras no Brasil”, de Mariana Mazzini Marcondes, Luana Pinheiro, Cristina Queiroz, Ana Carolina Querino e Danielle Valverde, reforçam que as mulheres negras continuam na base da pirâmide social.

Embora tenhamos mulheres negras em diversas ocupações de sucesso nas áreas da política, na ciência, no ambiente empresarial, por exemplo, elas ainda ocupam um espaço muito restrito nos cargos de poder.

Além das questões socio-econômicas, que não contribuem para salvaguardar as mesmas condiçoes dos negros e negras do país em comparaçao aos brancos, há ainda a lógica que fora imposta a partir do pensamento da servidão, acentuando o negro como inferior no sentido intectual, cabendo a ele a atividade braçal.

Angela Davis reforça que quando uma mulher negra consegue sair dessa base da pirâmide, ela movimenta toda a pirâmide.

Para esse movimento é preciso visitarmos tanto o lugar da emancipação da mulher negra quanto o seu protagonismo, empenhando energia para a representatividade no que concerne aos lugares de poder, e na construção simbólica da negritude na sociedade.

Marielle Franco falou sobre essas questões ao Mulheres de Luta em uma entrevista em 2016. Acompanhe o desenvolvimento de alguns desses temas nesse artigo e assista a entrevista na íntegra.