Grandes documentaristas brasileiras

petra costa

A série Nós, Documentaristas, dirigida por Susanna Lira, retrata o universo do documentário brasileiro a partir da visão de cineastas documentaristas do Brasil. Está entre as obras disponíveis no Tamanduá TV e você pode assistir aos episódios sobre as cineastas Lúcia Murat, Theresa Jessouroun, Claudia Priscilla, Petra Costa, Beth Formaggini e Susanna Lira gratuitamente até 30 de julho, acessando a plataforma com o cupom MULHERESDELUTA.

A seguir, conheça um pouco mais do processo de criação e das obras dessas memoráveis documentaristas brasileiras.

Lúcia Murat

Lúcia Murat nasceu na cidade do Rio de Janeiro e sua produção se funde à sua vida.

Na série Nós, Documentaristas, Lúcia Murat narra um pouco do seu processo de criação durante a ditadura e como essa experiência impactou em suas obras.

A cineasta passou pela experiência da prisão e tortura e seu longa  “Que Bom te Ver Viva” traz lembranças da prisão.

Lúcia Murat foi premiada com o filme “Quase dois Irmãos” como Melhor Filme Ibero-Americano do júri oficial e de Melhor filme do júri popular no Festival de Cinema de Mar del Plata. “Uma Longa Viagem” também foi premiado, desta vez no Festival de Gramado.

Para conhecer um pouco mais da obra de Lúcia Murat, assista também:

Pequeno Exército Louco, 1984 – Este documentário retrata a presença norte-americana na Nicarágua desde a década de 50, e durante a guerra civil. A obra destaca em especial o dia 19 de julho de 1980, dia da entrada dos sandinistas em Manágua, durante a revolução. O documentário foi filmado entre 1978 e 1979. 

Que Bom Te Ver Viva, 1989 – Nesse documentário, a atuação premiada de Irene Ravache dá vida a um presonagem anônimo que explora situações de tortura vividas durante a ditadura militar brasileira.

Uma Longa Viagem, 2011 – O documentário foi inspirado no curta-metragem Superbarroco de Renata Pinheiro, e retrata os anos 60 e 70 a partir da vivência de três irmãos. O irmão mais novo é enviado à Londres pela família para evitar que o jovem atuasse na luta armada contra a ditadura. O desdobramento dessa história relata as situações vividas por essa família.

Theresa Jessouroun

Theresa Jessouroun nasceu no Rio de Janeiro e é formada em História. Assim que se formou, em 1978, começou a se dedicar ao cinema. “A Queima Roupa”, que aborda a violência policial no Rio de Janeiro, foi premiado como Melhor Documentário e Melhor Direção de Documentário no Festival do Rio de 2014.

Na série documental Nós, Documentaristas, Theresa Jessouroun narra o início de sua trajetória no cinema, compartilha suas inspirações e fala sobre a importância do processo de pesquisa para a realização das filmagens.

Confira outros documentários de Theresa Jessouroun.

Samba, 2000 – O filme insere o espectador no universo das escolas de samba, narrando o cotidiano de passistas do Grêmio Recreativo Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. As fantasias, o samba no pé descalço, as rodas das favelas e o samba das biroscas recheiam o documentário.

Coração do Samba, 2011 – Depois de “Samba”, Theresa Jessouroun investiga mais uma vez o carnaval, e dessa vez retratando os bastidores da bateria da Mangueira. A narração é de Elmo dos Santos, filho do fundador da bateria da escola que traz a paixão pela percussão.

À Queima Roupa, 2014 – O documentário investiga a violência e a corrupção policial do Rio de Janeiro nos últimos 20 anos, trazendo entrevistas com vítimas e familiares das vítimas, reconstruindo a memória dos sobreviventes.

Claudia Priscilla

Claudia Priscilla nasceu em São Paulo. Jornalista de formação,  estreou no cinema produzindo curtas-metragens. Ao lado de seu companheiro Kiko Goifman, dirigiu o longa “Olhe Pra Mim de Novo” e “Bixa Travesty”, que teve sua estreia no Festival de Berlim, circulando posteriormente em cerca de 80 festivais nacionais e internacionais. 

Nesse episódio de Nós, Documentaristas, Claudia Priscilla fala sobre o  processo de realização dos seus filmes.

Leite e Ferro, 2010 – O documentário retrata o cotidiano das detentas de um Centro de Atendimento Hospitalar à Mulher Presa (CAHMP). Visitamos a realidade dessas mulheres que, encarceradas, tiveram seus filhos nos braços no período de amamentação, mas depois foram separadas deles. Na época da filmagem, 2007, havia 70 mães e 70 crianças no CAHMP.

Olhe Pra Mim de Novo, 2011 – O filme acompanha a jornada de Sylvio Luccio pelo nordeste, um homem trans que busca uma solução para que ele e sua esposa possam ter um filho. Nessa jornada, outras histórias se cruzam com a de Sylvio trazendo um pouco da vida dos que estão à margem da sociedade.

Bixa Travesty, 2019 – O documentário exibe a vida pública e privada de Linn da Quebrada, cantora transexual negra, bem como sua  luta pela desconstrução de estereótipos de gênero, classe e raça. 

Petra Costa

A cineasta Petra Costa nasceu em Belo Horizonte e estreou no cinema com “Olhos de Ressaca”, que foi exibido no MoMA e premiado em diversos festivais nacionais e internacionais. Seu segundo longa “Elena” estreou no Festival Internacional de Documentários de Amsterdã e recebeu dezenas de prêmios.

Já o documentário “Olmo e A Gaivota” estimulou Petra Costa a defender a autonomia das mulheres sobre o próprio corpo levando a discussão da descriminalização do aborto. A repercussão do posicionamento de Petra a levou a criar a campanha  “Meu Corpo, Minhas Regras”.

“Democracia em Vertigem”, de 2019, obteve grande repercussão ao abordar as manifestações a favor e contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Em Nós, Documentaristas Petra Costa fala sobre o processo de realização de seus documentários.

Olhos de Ressaca, 2009 – O documentário aborda a vida de Vera e Gabriel, avós de Petra Costa, casados há sessenta anos. O resgate de momentos do passado se fundem com o presente nesse documentário repleto de afetividade, que aborda o amor e o processo do envelhecimento.

Elena, 2012 – O filme retrata a vida de Elena Andrade, irmã mais velha de Petra Costa, que se muda para New York para ser atriz. Esse documentário envolvente foi premiado em diversos festivais.

O Olmo e a Gaivota, 2014 – O documentário aborda a vida de uma atriz que descobre que está grávida enquanto ensaia a peça teatral “A Gaivota”, de Tchekov. Nessa obra, Olivia confronta seus medos e desejo por liberdade profissional, enquanto enfrenta os limites impostos pelo corpo. Os conflitos entre a atriz e a personagem se intensificam neste documentário.

Beth Formaggini

A produtora e diretora Beth Formaggini nasceu em Montes Claros, Minas Gerais. É graduada em História e pesquisadora de documentários brasileiros, tendo realizado diversas curadorias. Produziu os filmes “Edifício Master” e “Babilônia” de Eduardo Coutinho, ambos premiados em diversos festivais.

Beth Formaggini foi integrante da equipe do Instituto Estadual de Patrimônio Cultural (Inepac-RJ) como historiadora entre 1985 e 2016. É especialista em “Documentário e Pesquisa Audiovisual”, pela Universidade de Roma – La Sapienza. 

Em Nós, Documentaristas Beth Formaggini fala sobre suas motivações e sobre o processo de realização de suas obras.

Apartamento 608, 2009 – O documentário acompanha o processo de criação do cineasta Eduardo Coutinho durante as filmagens de “Edifício Master”.

Xingu Cariri Caruaru Carioca, 2016 – O filme aborda o músico Carlos Malta, a origem e uso do pife, e traz depoimentos de diversos músicos brasileiros.

Pastor Cláudio, 2017 – O documentário promove o encontro entre o bispo evangélico Cláudio Guerra, responsável por assassinar e incinerar os opositores da ditadura militar brasileira, e Eduardo Passos, um psicólogo e ativista dos Direitos Humanos.

Susanna Lira

Por último, e não menos importante, Susanna Lira, a diretora da série Nós, Documentaristas, também está em um dos episódios.

Susanna Lira é formada em Publicidade e Jornalismo. Especialista em direção de documentários, a cineasta atua no mercado desde 1994, trabalhando em diversos veículos de comunicação como  HBO, Universal Channel e TV Globo.

Susanna Lira é também pós-graduada em Direito Internacional, Direitos humanos e Biopolítica Criminal. Em seu currículo constam diversos longas metragens, curtas e séries de televisão. 

A diretora aborda temas sociais relevantes em seus filmes. Veja algumas das obras dessa renomada diretora.

Positivas, 2009 – O documentário foi premiado como Melhor Longa Metragem Documentário pelo Voto Popular no Festival de Cinema do Rio, em 2010. Ele retrata a vida de mulheres que contraíram HIV de seus maridos ou companheiros. Nesse documentário, Susanna Lira explora um aspecto do machismo na dificuldade do uso de preservativo, em uma geração de mulheres que foram criadas para não contrariar seus maridos.

Damas do Samba, 2013 – Esse documentário exalta as musas, tias, compositoras e passistas do mundo do samba. Madrinhas, operárias, intérpretes e outras carnavalescas são apresentadas mostrando a força da presença da mulher no mundo do samba.

Torre das Donzelas, 2018 – Torre das donzelas era o apelido da penitenciária feminina que abrigava mulheres que foram presas durante a ditadura militar. Junto à ex-presidente Dilma Rousseff, as mulheres presas revisitam essa parte de suas histórias.

Acesse a plataforma de streaming Tamanduá TV, assista “Nós, documentaristas” de Susanna Lira, e saiba mais sobre os documentários dessas renomadas cineastas brasileiras.