Linguagem audiovisual para criancas

Observando a interação das crianças com os diferentes conteúdos audiovisuais, você percebe o quanto elas são perspicazes.

Rosália Duarte

Em entrevista para o Mulheres de Luta, Rosália Duarte fala um pouco sobre a interação das crianças com os conteúdos audiovisuais – uma tendência no mundo contemporâneo.

Ao contrário do que se pensa, ela afirma que as crianças são muito perspicazes ao interagir com os diferentes conteúdos: por exemplo, elas tendem a não gostar da publicidade de comida.

Esse e outros exemplos corroboram o papel ativo da criança na apreensão e ressignificação do sentido.

Transcrição da entrevista:

O que chamamos de leitura do audiovisual é bem mais intuitiva que a leitura do texto escrito que exige uma decodificação. A gramática do audiovisual é mais facilmente adquirida, porque elas têm contato muito cedo. Um bebê não tem contato com a língua escrita, mas tem com materiais audiovisuais.

Então, desenvolvem mais rápido e conseguem dizer de volta: “Sei o que gosto. Gosto de coisas divertidas, alegres, de ver outras crianças.” Isso é algo que sempre as crianças dizem.

Materiais audiovisuais que mostram a vida de outras crianças, que falam de bichos, são muito interessantes para elas. Mas materiais que trazem problemas, que contam os problemas do mundo, fazem sofrer.

Ficam incomodadas com a publicidade de comida, algumas dizem que são comidas que não podem comer, porque a família não pode comprar ou porque faz mal. Elas dizem que não gostam de ver, porque dá fome e vontade de comer, e sabem que não vão poder.

Isso é algo que percebem claramente que está lá e que não é algo que goste.

Outra coisa que as faz sofrer, por incrível que pareça, são as questões do meio ambiente. Dizem que não podem resolver e ficam triste quando veem o mar cheio de lixo.

Percebe-se o quanto são perspicazes na interação com o mundo do audiovisual.