Mulheres na idade média

Registrado no tempo entre os períodos que compreendem a Idade Clássica e o Renascimento, a Idade Média se estende entre os séculos V e XV, tendo como principais características uma sociedade com sistema político e econômico descentralizado, onde clero, nobreza e servos marcavam a hierarquia social por quem detinha mais terras, sendo esses os senhores feudais. As atividades agrícolas predominavam na época, no qual os servos produziam seu próprio sustento e mantimento dos feudos.  

Enquanto a igreja católica estabelecia suas bases nos extratos da sociedade medieval, protegendo e monopolizando a cultura e o conhecimento, homens e mulheres se viram em construções diferentes no que diz respeito à Baixa e à Alta Idade Média, que refletem em interações sociais até a contemporaneidade. São padrões comportamentais e coletivos que são herdados e estão difundidos socialmente, como a reprodução da sociedade pelas mulheres.

No período medieval, as mulheres eram educadas para desempenhar determinados papéis independente do grupo social do qual ela pertencia: ter filhos e ser uma boa mãe, ser uma boa filha e uma boa esposa, tendo como base o moralismo e as boas práticas cristãs. “Ao mesmo tempo em que ela é responsável pela reprodução social, ela é também responsável pela manutenção dessa própria sociedade na medida ela tem que educar os seus filhos, cuidar da sua casa, cuidar da sua família, ela tem que garantir que a célula familiar dela tenha o desempenho considerado ideal e possa ser integrado dentro da sociedade”, explicou ao Mulheres de Luta a historiadora Marta Silveira.  

Embora a retratação das mulheres que viviam na Idade Média seja de submissão e de desigualdade em relação aos homens, o poder sobre o corpo femino e das vontades femininas não é algo exclusivamente oriundo do período, tendo se estruturado desde antes do medievo e sido reforçado pelos discursos judaico-cristãos. 

Marta aponta que é importante entender que a discussão em torno da condição feminina se dá em dois níveis: o discurso teórico, endossado por questões religiosas, jurídicas e políticas, e a questão de como a realidade social em si se estabelece.

A pesquisadora reforça que a história das mulheres na Idade Média é bastante complexa e que, na verdade, existem várias categorias das mulheres das quais as mulheres estavam inseridas: categorias sociais, categorias econômicas, categorias étnicas e demais produções. 

“Há exemplos e exemplos de mulheres na Idade Média que desenvolveram atividades de liderança política, mulheres que tiveram à frente de exércitos, mulheres que ajudaram a conduzir batalhas, mulheres que trabalhavam nas oficinas, tendo determinados ofícios que eram quase propriamente femininos, as tecelãs são exemplo disso”, enfatizou, listando nome de figuras femininas importantes para a época, como Hildegarda de Bingen, Clara de Assis, Leonor de Córdoba Trotula de Salermo e outras que foram perdidas pelo “redemoinho da história” e pela falta de registros.

Se as documentações sobre as atividades exercidas pelas mulheres não estão em sua total integridade e existência, foi também com os movimentos feministas e com a conquista de direitos de acesso às universidades meios acadêmicos de pesquisas que permitiram às mulheres o resgate e reflexão sobre o lugar do feminino na sociedade. “O trabalho do historiador é justamente, através das fontes, ir desvendando um pouco dessa realidade feminina, livrando-nos de alguma maneira desses estereótipos que foram ao longo do tempo constituídos da forma como as mulheres da Idade Média viviam, se organizavam e se relacionavam”, conclui. 

Em entrevista ao Mulheres de LutaMarta Silveira falou sobre como a mulher na Idade Média. Confira!