Mulheres que mudaram a história do esporte

A inserção das mulheres nos esportes, assim como em outros espaços predominantemente masculinos, foi e tem sido um grande desafio. Entretanto, mesmo com tantas problemáticas, é importante reconhecer os avanços e as transformações que já foram alcançadas nessa área. Nesse artigo, além de se aprofundar sobre essa temática, você vai conhecer mulheres que mudaram a história do esporte e o quanto isso foi relevante para a sociedade.

É importante entender que a pratica de esportes por mulheres é historicamente dificultada porque o papel da mulher dentro do esporte se mistura com seu papel social na história da humanidade.

Visto que em muitos momentos da história foi estado dificultado, limitado ou de fato proibido essa participação. Dessa forma o esporte se consolidou como espaço masculino e ainda atualmente possui uma maioria significante do gênero.

Por exemplo, nos jogos olímpicos da antiguidade as mulheres não podiam competir ou mesmo assistir aos jogos sendo sujeitas a pena de morte caso descumprissem essa proibição.

Ou com Pierre de Frédy, o Barão de Coubertin, conhecido também como pai da Olimpíada Moderna que entendia que que a competição esportiva não era “coisa de mulher” e era apoiado pela sociedade em geral que associava a mulher apenas à maternidade e afazeres domésticos, sendo assim as mulheres também não competiam nessa época, pois isso era incompatível com seus papéis de gênero.

Mas trazendo essa questão um pouco mais para dentro da nossa realidade, mesmo na própria legislação do Brasil, no período da ditadura militar, era determinado que esportes como o jiu-jitsu, futebol, entre outros eram proibidos para mulheres.

Veja:

“Art. 54. Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país” (DECRETO-LEI Nº 3.199, DE 14 DE ABRIL DE 1941)”.

E em 1965, o Conselho Nacional de Desportos decidiu que: “Não é permitida a prática de lutas de qualquer natureza, futebol, futebol de salão, futebol de praia, polo-aquático, pólo, rugby, hanterofilismo e baseball”.

Mas pela força e determinação de algumas mulheres pioneiras esse paradigma de exclusão de gênero dentro do esporte foi ficando cada vez mais obsoleto e hoje, apesar de ainda haver uma desigualdade significativa dentro desse espaço, muitas conquistas já foram alcançadas e isso tem contribuído para uma mudança real na sociedade.

Diante disso, vamos conhecer melhor esses avanços e principalmente algumas mulheres que mudaram a história do esporte.

As principais conquistas femininas no esporte

O machismo e a estrutura social que predomina desde a antiguidade sempre geraram barreiras imensas para a participação das mulheres no meio esportivo.

O primeiro registro de participação ativa de uma mulher em uma olimpíada, tendo em mente que antes era estritamente proibido, foi de uma grega chamada Belistiche que participou e venceu a prova de quadriga de potros – carro puxado por quatro animais, em 268 a.C.

Depois da sua participação e destaque foi instituído os jogos Heranos, que eram exclusivamente femininos e se limitavam a um esporte: a corrida.

O que foi proibido de novo com a dominação romana assim como os jogos olímpicos em geral.

Na era moderna as olimpíadas voltaram a acontecer, como já mencionado acima, mas as mulheres permaneciam de fora desse contexto. Entretanto na época os movimentos em favor dos direitos das mulheres e da igualdade de gênero começaram a ganhar força e várias solicitações para essa inclusão começaram a acontecer.

Em protesto às proibições, a grega Stamati Revithi realizou o percurso de 40 km da Maratona fora do estádio no dia seguinte à realização da prova em 1896. E mesmo tendo completado a prova em um tempo realmente impressionante, superando o desempenho de muitos homens não teve o reconhecimento do Comitê Olímpico Internacional.

(Sugestão de posição da imagem de destaque)

Já em 1917, a francesa Alice Melliat fundou a Federação Esportiva Feminina Internacional (FEFI). Dessa forma passou a gerenciar o esporte feminino, estabelecendo regras e supervisionando recordes. A Federação também organizou os Jogos Olímpicos Femininos em 1922, 1926, 1930 e 1934.

Depois disso, com a grande adesão e repercussão que os jogos femininos estavam ganhando, o comitê se viu obrigado a agregar as mulheres nas Olimpíadas Modernas. Mesmo assim, foi somente durante as Olimpíadas de Berlim em 1936, que as mulheres foram oficialmente reconhecidas como atletas olímpicas.

Desde então esse espaço começou a ser ocupado cada vez mais pela presença feminina. Claro que esse processo de luta não foi fácil. Toda a história da mulher dentro do esporte foi marcada pela superação de muitas barreiras e preconceitos e também por fases de retrocesso, como foi o caso da limitação da prática durante a ditadura militar.

Mas é notável que muitas mudanças aconteceram dentro desse espaço e hoje temos mulheres em todo tipo de esporte, participando de torneios e jogos olímpicos etc, e tudo isso graça às pioneiras.

Você já conheceu o nome de algumas mulheres que mudaram a história do esporte, mas te convidamos a conhecer outras logo abaixo.

Mulheres que mudaram a história do esporte

Claro que essa lista poderia ser muito maior, temos nomes femininos importantíssimos dentro do esporte que se destacam. Mas, vamos apresentar algumas outras mulheres que mudaram a história do esporte focando principalmente em atletas brasileiras.

Charlotte Cooper: foi a primeira campeã olímpica da história. A tenista britânica ganhou duas medalhas de ouro em Paris nas modalidades: simples e nas duplas mistas. Além disso essa mulher era surda e mesmo com as roupas inadequadas da época para o esporte conseguiu a dupla conquista.

Maria Lenk: uma figura extremamente importante dentro da natação feminina. Foi a primeira sul-americana a participar de uma Olímpiada, em 1932 e também única mulher brasileira a entrar para o Hall da Fama da natação.

Aída dos Santos: primeira mulher brasileira a disputar uma final olímpica na modalidade salto em altura na competição de Tóquio, em 1964. Aída é uma mulher negra, sendo assim teve que enfrentar muitos preconceitos nesse aspecto.

Larissa Latynina: a maior medalhista de todos os tempos, nascida na Ucrânia, representou a União Soviética em três jogos conquistando um total de dezoito medalhas – sendo nove de ouro.

Enriqueta Basilio: a atleta olímpica mexicana foi a primeira mulher na Olimpíada a acender a pira. Esse foi um momento histórico e de grande importância que aconteceu na abertura dos Jogos do México, em 1968.

Sandra Pires e Jacqueline Silva: conquistaram as primeiras medalhas de ouro para o Brasil nas Olimpíadas de 1996, em Atlanta. Além disso, essa foi a primeira vez que o vôlei de praia foi inserido dentro da competição.

Marta Vieira da Silva: a jogadora Marta, além de ter conseguido duas medalhas de prata nos jogos olímpicos foi também eleita melhor jogadora de futebol do mundo pela Fifa em seis oportunidades e artilheira da Copa do Mundo de Futebol Feminino em 2007.

Dentre tantas outras mais. A trajetória da mulher nesse espaço, assim como em muitos outros, foi marcado por uma intensa luta por reconhecimento, mas, é também repleta de conquistas. Entretanto, a igualdade de gênero dentro das competições esportivas ainda é ainda uma estrada a ser percorrida, mas a mudança está acontecendo e ela é gradual. 

Ficou com alguma dúvida sobre mulheres que mudaram a história do esporte ou sentiu falta de algum nome? Conta pra gente nos comentários, responderemos em breve.