O que é ginecologia emocional?

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Vamos falar de uma mulher “comum”, que tinha alguns problemas ginecológicos. O desafio que se encontrava à sua frente era solucionar esses problemas. Para isso ela recorreu à medicina tradicional. No entanto, isso não foi suficiente para solucionar seus problemas.

Diante desse fato, essa mulher “comum” tentou um caminho alternativo. Medicina chinesa, ginecologia natural e medicina Ayurveda fizeram parte dessa nova trajetória. O primeiro caminho trilhado, o da medicina ocidental, não foi substituído nessa nova jornada. Ambos foram trilhados em paralelo: a medicina da ciência ocidental e a medicina ancestral.

Essa imagem, de dois caminhos paralelos, pode ser interessante para entendermos esse processo, mas em resumo, nada mais é do que ampliar os saberes, resgatando nosso conhecimento ancestral aliado ao conhecimento da ciência contemporânea.

A mulher “comum”, da qual os parágrafos anteriores se refere, é a Kareemi que desde o início dessa jornada, em 2012, tem se dedicado à uma abordagem que tem auxiliado outras tantas mulheres “comuns”.

A palavra “comum” destacada para identificar Kareemi, tem por objetivo salientar que esses problemas são recorrentes à todas as mulheres. Mas “comum”, nessa perspectiva, não pretende transmitir a ideia de banalidade ou generalização. Ressaltei-a pelo seu sentido etimológico.

“Communis”, no latim, traz a ideia de “compartilhamento”, “repartir os deveres em conjunto”. Nesse sentido é importante dividirmos esse entendimento com outras mulheres contemporâneas, uma vez que os problemas e desafios são partilhados, bem como resgatar nossa ancestralidade.

Na cura ancestral o corpo físico não é compreendido como algo apartado de nossas emoções e nem da nossa história.

A ginecologia emocional, portanto, resgata a importância das nossas emoções no entendimento de nosso corpo, algo que se torna cada vez mais relevante na atualidade. Tudo o que sentimos, inclusive as situações vividas por nossos ancestrais, impactam em nossas vidas, bem como em nosso sistema ginecológico.

Essa é a perspectiva da ginecologia emocional, que alia o entendimento das nossas emoções em consonância com os tratamentos convencionais. O objetivo, em primeira instância, é descobrir a origem desses problemas.

Analisando essa perspectiva podemos concluir que a ginecologia emocional não é um método ou sistema, e sim uma abordagem ou um caminho em busca do nosso autoconhecimento físico e mental. Esse processo de autoconhecimento promove a reconexão com o nosso “eu” feminino, um despertar que ultrapassa barreiras temporais e materiais, uma vez que transforma não apenas a nossa relação com quem está à nossa volta, mas também com a energia de nossos antepassados.

Trata-se sobretudo de um processo de transformação que visa o fortalecimento da nossa autoestima, autoconfiança e do amor próprio.

Embora Kareemi tenha sido a precursora da Ginecologia Emocional no Brasil, essa perspectiva, que entende nosso corpo como algo não apartado de matéria, mente e espírito, tem provavelmente sua origem nos povos andinos, embora essa perspectiva também esteja presente em outros povos de culturas ancestrais.

As mulheres dos Andes tem por tradição a prática de processos de cura, sempre alinhados à consciência de suas emoções. Um dos costumes delas, por exemplo, é a utilização de uma faixa quente com ervas, chamada de chumbe, utilizada em torno do útero, especialmente durante períodos pré-menstruais e menstruais, bem como em momentos de tristeza e melancolia.

Os benefícios das ervas selecionadas junto à ação do calor, promove o bem estar dessas mulheres, aliado à intenção de recolhimento. Dessa forma elas unem nessa estratégia de cura tanto os benefícios terapêuticos e medicinais quanto emocionais, em uma postura de resguardo e meditação. Além disso, há a manutenção de uma cultura ancestral que passa de geração à geração.

A importância desse resgate parte também da necessidade da ressignificação do corpo feminino na sociedade ocidental. A reflexão sobre esse tema inclui os questionamentos acerca da objetificação do corpo da mulher no ocidente.

O corpo feminino tem sido constantemente explorado em nossa cultura como objeto do prazer masculino. Esse paradigma tem se perpetuado ao longo de nossa história, tanto em memórias de experiências agressivas impregnadas em nosso corpo, como na manutenção de comportamentos que excluiu, ao longo do tempo, a nossa conexão com nossa mente e espírito.

Ao entrarmos em contato com nossas emoções, temos a capacidade de reconhecer quais memórias e traumas foram retidos, e a partir disso, podemos compreender as respostas do nosso corpo biológico às nossas emoções. Essa abordagem, aliada aos métodos da ciência ocidental, nos proporciona uma expansão na compreensão de nossa saúde, fortalecendo o protagonismo feminino em relação à compreensão do próprio corpo.

A perspectiva da ginecologia emocional, portanto, une a medicina ancestral e tradicional. Sendo assim, o resgate dos valores ancestrais não substituem a medicina ocidental, ambas estão unidas em busca de tratamentos que curem a doença junto à compreensão ampliada da nossa saúde integral, bem como fortalece nossas relações culturais com nossa ancestralidade.