Maternidade lésbica: como casais de mulheres podem engravidar

Como sabemos, a maternidade por si só já é repleta de desafios, dúvidas e mudanças. Todo esse quadro geralmente é maior quando se tratam de mulheres lésbicas que estão dentro desse processo ou querem entrar. Isso porque o acesso a esse tipo de informação, como por exemplo os métodos disponíveis atualmente e a maternidade lésbica em si não são temas muito populares.

Entretanto, desde 2015, o Conselho Federal de Medicina autoriza procedimentos de reprodução assistida para casais de mulheres. E desde então essa demanda está em crescente crescimento.

Se você tem alguma dúvida sobre esse assunto, então você está no lugar certo! Reunimos aqui muitas informações baseadas nas principais dúvidas vivenciadas por essas mulheres, que vão desde questões técnicas sobre as opções da maternidade lésbica com os métodos disponíveis atualmente até assuntos mais complicados como por exemplo “como fica a questão da guarda da criança em caso de divórcio?”.

Vamos lá?

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Desafios para casais lésbicos que querem ser mães

Apesar de muitos avanços e conquistas nessa área em comparação há alguns anos atrás, os casais mulheres que desejam terem filhos, ou mesmo as que já tem ainda enfrentam muitos desafios. De fato, o preconceito e a falta de informação são barreiras enfrentadas desde o início de um projeto assim.

No Brasil, onde esse tipo de vivência é muito pouco representada nas grandes mídias e não é algo debatido de forma aberta, cria-se um terreno propício a invisibilidade desse grupo e das suas famílias e, consequentemente, muitos preconceitos.

Dessa forma, mesmo com o aumento significativo de adesão a causa, existem desafios concretos em vários aspectos. Durante o processo de busca de informações sobre as possibilidades da maternidade lésbica, por exemplo, muitas mulheres relatam dificuldade para encontra-las de forma segura na internet.

Outro fator complicado para as mulheres que tem esse sonho é muitas vezes os valores desses procedimentos. Além disso, enfrentam desde o início comentários que geram constrangimento e desconforto e não reconhecem essa maternidade.

E, para além de tudo isso, existe um medo que é compartilhado quase universalmente sobre como a sociedade encara a diversidade e como isso pode afetar os seus filhos, ou mesmo o quanto isso pode ser de fato perigoso no decorrer da vida deles.

Mas com tudo isso, a maternidade dupla atualmente está crescendo gradualmente e muitas mulheres dentro de relacionamentos homoafetivos estão conseguindo realizar esse sonho.

Vamos conferir agora os métodos disponíveis atualmente para conseguir ser mãe, sendo lésbica.

Maternidade lésbica: como casais de mulheres podem engravidar

Antes de falarmos sobre os métodos para se engravidar sendo lésbica, existem ainda a adoção que é um caminho para a maternidade. Ainda que existam todos os processos burocráticos do sistema, esse cenário, ou seja a maternidade de casais lésbicos através da adoção, está se tornando cada vez mais comuns.

Dito isso, vamos conhecer as possibilidades dentro desse grupo.

Fertilização in vitro (FIV):

“Os índices de gravidez são maiores do que os dos casais heterossexuais que buscam tratamento, pois estamos falando de duas pessoas potencialmente férteis”, comenta Caio Parente Barbosa, ginecologista do Instituto Ideia Fértil de Saúde Reprodutiva.

Nesse método, que possui alta taxa de sucesso, é utilizado injeções de hormônio por um dado período de tempo. Com isso a ovulação da mulher é estimulada. A partir do momento que os óvulos estão adequados para serem inseminados, são retirados e o processo é feito inseminados artificialmente por espermatozoides de um doador anônimo.

Depois de alguns dias de maturação os óvulos são transferidos para o útero para o útero da mulher.

A partir disso existem algumas possibilidades para os casais lésbicos, por exemplo, uma das mulheres pode gestar o seu próprio óvulo, ou compartilhar a gestação implementando o óvulo no útero da outra pessoa.

Método ROPA: 

Esse método se trata exatamente disso, compartilhar a gestação. Isso pode se dar de algumas maneiras, implementando o óvulo de uma na outra ou ambas engravidarem simultaneamente, por exemplo. Contando que ambas estejam fisiologicamente aptas.

Por isso, é preciso, antes de tudo, que as duas passem por uma série de bateria de exames que levam em conta a capacidade reprodutiva, anatomia uterina e decidem quem será a doadora do óvulo e quem irá gestar. Além disso, outros fatores como idade e doenças crônicas são levadas em consideração.

Inseminação Artificial:

Diferente da fertilização in vitro, nessa técnica não se retira os óvulos, sendo assim a inseminação ocorre diretamente dentro do útero de uma das mulheres.

A mulher que for gestar deve, igualmente, passar por um processo semelhante de estimulação de hormônios, entretanto a dosagem é menor e também uma bateria de exames para saber se o organismo está apto para uma gravidez.

No momento considerado ideal o sêmen do doador é implantado no óvulo da mulher.

“É indolor e não necessita de ambiente cirúrgico, pode ser feito no ambulatório”, comenta Arnaldo Cambiaghi, ginecologista-obstetra diretor do Centro de Reprodução Humana do Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia.

Esse método é o mais conhecido e ainda o mais utilizado porque sendo um procedimento muito mais simples que a FIV o seu valor também é mais acessível.

Entretanto, sua taxa de sucesso consideravelmente menor e se não der certo, será preciso pagar novamente pelo processo.

Dúvidas comuns sobre a maternidade lésbica

Dentro das dúvidas mais recorrentes, fizemos essa seleção para esclarecer essas principais questões.

Existe alguma barreira para a adoção?

Segundo a lei não, os critérios exigidos devem ser os mesmos para os casais heterossexuais, presente na lei de adoção, ou seja: estabilidade financeira e emocional.

Entretanto, como já foi mencionado, o sistema pode ser falho porque é formado de pessoas com construções individuais onde pode morar o preconceito e com isso ter sua solicitação vetada.

Onde procurar esses procedimentos?

Esses tipos de procedimentos são feitos normalmente de forma particular. Isso porque geralmente os planos de saúde não costumam cobrir reprodução assistida. Mas, converse com a sua ginecologista. 

Pode ser solicitado pelo SUS, entretanto, pode-se esperar anos para se conseguir realizar a inseminação e a mulher deve se encaixar em alguns requisitos, comprovando a necessidade de assistência.

O bebê pode ser registrado pelas duas mães?

Sim, e essa é uma conquista significativa. Tanto paro o caso de adoção, como para o caso de reprodução assistida. Para esse último é necessário apresentar um documento da clínica, que diga quais foram os procedimentos realizados e os nomes das mães.

Mas vale mencionar que algumas mulheres encontram dificuldade em realizar o registro e sofrem preconceito nesse processo.

E se houver separação, como fica a questão da guarda?

Assim como para relacionamentos heterossexuais, a guarda compartilhada é sempre prioridade. Entretanto, se houver uma discordância ou uma convivência ruim entre essas mulheres caberá ao juiz decidir a questão da guarda, considerando a particularidade de cada caso.

É importante lembrar que crianças acima de 12 anos também costumam ser ouvidas nessas questões. 

Dessa forma, o objetivo é sempre proteger os interesses da criança e garantir o seu melhor desenvolvimento em todas as áreas da vida.

Ficou com alguma dúvida sobre maternidade lésbica? Fala pra gente nos comentários, responderemos em breve.